sexta-feira, 23 de março de 2007

pessoas crescidas


" Assim, termina a «viagem cósmica»do principezinho, a sua volta ao horizonte da inumanidade, e a impressão que deixa é a de uma hilariante tristeza. Todas estas «pessoas crecidas» são de tal forma grotescas, singulares e bizarras que vale a pena extrapô-las aos olhos de uma criança para por em evidência sem qualquer disfarce o carácter, por assim dizer, negativamente poético das suas vidas. Se de facto as «pessoas crescidas» são assim, mais vale ser criança e não crescer mais!"

"A solidão, o isolamento, o egocêntrismo, a fantástica capacidade de se lançarem como loucos na perseguição da felicidade só as pode conduzir á infelicidade. O permanente monólogo, a monotonia, a total incapacidade de escutar o outro ou de aprender com ele alguma coisa evidenciam a impossibilidade de os [pessoas crescidas] humanizar. Mas é precisamente no limite da influência que se poderia ter sobre eles que reside o interesse de O Principezinho. Pois não basta pintar uma galeria de horrores, tão realistas quanto grotesca, do circulo vicioso e dos constrangimentos que encerram estas «pessoas crescidas»; o mais importante é compreender as razões da monstruosa deformação dos seus traços."
in O essencial é Invisivel: uma leitura psicanalitica de O Principezinho, Eugen Drewermann

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